Ciência / Tecnologia: China e Rússia firmam 'acordo de paz digital' para não se 'hackearem'

China e Rússia firmam 'acordo de paz digital' para não se 'hackearem'



A Rússia e a China assinaram um termo de cooperação digital em que as duas nações prometem não realizar ciberataques uma contra a outra. Entre outras disposições, o texto ainda afirma que os dois países devem se opor a tecnologias que possam "desestabilizar o ambiente político e socioeconômico interno", "perturbar a ordem pública" ou "interferir com assuntos internos do estado".

O acordo foi assinado na sexta-feira (8), durante uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, à Moscou. A informação está em uma reportagem do "Wall Street Journal".
A cooperação entre os dois países prevê ainda troca de informações entre autoridades policiais e tecnologia para garantir a segurança da infraestrutura de informação.

De acordo com o "Wall Street Journal", o acordo é o mais recente indício de que a Rússia e a China estão a favor de alterações na condução e governo da internet. A maior parte das operações da rede é gerenciada pela Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (Icann), numa concessão do Departamento de Comércio do governo dos EUA.

O contrato da Icann com o governo norte-americano deve terminar este ano e autoridades dos Estados Unidos já sinalizaram que o país estaria disposto a deixar a Icann existir como uma organização independente caso sejam instituídos mecanismos de controle que representem todos os interesses ligados ao funcionamento da rede mundial. Os detalhes desses mecanismos, como quem seria representado e de que forma, permanecem incertos.

China tem 'hackers combatentes' e quer soberania
Enquanto firma compromissos com a Rússia, a China discute uma lei de segurança nacional que apresenta disposições sobre a internet. O texto atual diz que a China deve garantir a "soberania" em sua rede de computadores, segundo a agência Reuters.
Em 2013, o "New York Times" afirmou que a China e os Estados Unidos teriam "conversas regulares" sobre ataques cibernéticos. Autoridades norte-americanas culpavam chineses pelo roubo de propriedade intelectual das indústrias de alta tecnologia do país, mas a China negava a autoria de qualquer ataque.

Em março deste ano, um grupo privado de inteligência militar dos Estados Unidos, o Defense Group Inc (DGI), divulgou que uma publicação do exército chinês, chamada de "A ciência da estratégia militar", admitiu a existência de "hackers combatentes" dentro e fora do exército chinês.

No mesmo mês, a China foi acusada de realizar um ataque por interceptação e sequestro da rede, usando conexões de internautas que visitavam sites na China para atacar um site de ativistas que monitoram o funcionamento do sistema de censura de internet empregado pelo país asiático. Segundo especialistas, a dimensão do ataque indica que ele só poderia ser realizado por quem detém o controle da rede.

Fonte: G1
Foto: A/D
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