Ciência / Tecnologia: CPFs divulgados em sites podem ser usados em fraudes sem o dono saber

CPFs divulgados em sites podem ser usados em fraudes sem o dono saber



O site “Nomes Brasil”, que permite que sejam consultados números e situações de CPFs de pessoas apenas digitando seu nome, gerou reclamações e campanhas por sua retirada do ar nesta semana. O Ministério da Justiça informou na quarta-feira (6) que notificou o provedor de acesso do site, pois a prática pode ferir o Código de Defesa do Consumidor e o Marco Civil da Internet. As sanções em caso de irregularidade podem chegar a R$ 7,2 milhões.
O caso, porém, não é o único no Brasil. Segundo o especialista em segurança digital Fernando Mercês, há outros sites semelhantes e os dados vazados podem ser utilizados em fraudes sem que a vítima jamais fique sabendo.

“Esses sites não são novos. Já houve outros e depois e algum tempo eles acabam sendo retirados do ar", diz Mercês, pesquisador de ameaças da Trend Micro.

Outro caso recente aconteceu em dezembro, quando o site “Fonedados” entrou na mira do Ministério Público Federal após gerar revolta entre os internautas. Com um banco de dados contendo informações como números de telefone fixo e de celular, endereços e CPF, o mecanismo permite que registros sejam cruzados a ponto de, a partir da pesquisa pelo endereço, ser possível descobrir telefones relacionados a ele.

Mercês explica que bancos de dados com informações pessoais de cidadãos coletadas de forma ilegal são comuns e usados por criminosos para diversos tipos de fraudes. Em muitos casos, a pessoa que teve seu CPF vazado nem fica sabendo da irregularidade.
“Podem comprar coisas em nomes de outros, conseguir algum tipo de crédito. Infelizmente, não é difícil, estando em posse dos dados, praticar ações criminosas. A pessoa [que teve os dados roubados] pode acabar com uma dívida”, diz Mercês. “Mas normalmente os criminosos não conseguem um crédito significativo sem a assinatura da pessoa. O que acontece muito é utilizar os dados para registrar compras. Eles mesmos pagam, então a dívida não vai para pessoa, ela não fica nem sabendo. Isso é feito para esconder a real identidade do próprio criminoso se ele quiser abrir uma loja online falsa, por exemplo.”

O especialista explica que o uso de dados para cometer esse tipo de fraude tem como objetivo de “dificultar a ação da polícia depois que o crime vem à tona”, já que o “rastro” deixado na internet tem as informações de outra pessoa, não do criminoso.

“Para comprar um site, um domínio, é tudo feito pela internet. Ninguém verifica se a pessoa é ela mesma. A pessoa consegue fazer essa compra no nome de outra e comete o crime, abre uma empresa fantasma ou coisas do tipo.”

Fonte: G1
Foto: Reprodução/nomesbrasil.com
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