Ciência / Tecnologia: Crânio do homem de Cro-Magnon é atração de museu reaberto em Paris

Crânio do homem de Cro-Magnon é atração de museu reaberto em Paris



Uma fascinante "sala de antepassados" com o crânio do homem de Cro-Magnon, Vênus pré-históricas e uma coleção de bustos sobre a diversidade humana: o Museu do Homem reabre suas portas este sábado em Paris, transformado após seis anos e meio de reforma.

Com a chegada do novo Museu da antropologia do Quai Branly, o Museu do Homem havia ficado obsoleto, antigo e em busca de uma nova identidade.
Reabre agora inteiramente renovado, luminoso, com grandes volumes, vista para a Torre Eiffel e uma cenografia moderna, quase despojada.
Localizado na Praça do Trocadéro, o novo Museu do Homem será inaugurado na quinta-feira (15) pelo presidente François Hollande e o público poderá descobri-lo gratuitamente durante três dias, de sábado a segunda-feira.

O museu apela a seu fundo de coleções da pré-história e antropologia, aos quais somam-se objetos de etnologia recentemente adquiridos ou provenientes de doações.

"Estou encantada. É muito emocionante ver este museu reabrir suas portas", disse à AFP Evelyne Heyer, encarregada da "Galeria do Homem", a coleção permanente do museu, espalhada sobre 2.500 m2. "No início dos anos 2000 fiz greve para que o museu continuasse existindo, e naquela época, pouca gente acreditada nele", afirma Heyer, que é antropo-geneticista.

Projeto científico novo
O estado francês investiu mais de 100 milhões de dólares para permitir que este museu criado em 1938 entrasse em cheio no século XXI.
O projeto científico foi totalmente repensado. A galeria permanente é articulada em torno de três perguntas fundamentais: "Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos?".
"O homem faz parte da grande diversidade do mundo vivo. Em termos biológicos, não é 'mais evoluído' que as demais espécies", indica Heyer.

No "refúgio dos antepassados", escondido na penumbra, o visitante fica confrontado com suas origens, diante do crânio do Cro-Magnon, chamado de "o velho" no jargão do museu. Este Homo sapiens tem cerca de 28 mil anos e foi encontrado em 1868 na França.
Ao seu lado está o crânio da "Dama de Cavillon", pintado de ocre e coberto de caracóis.

Também estão os primos: os neandertais, representados pelo Homem de Ferrassie. Mais longe descobrimos a caixa de ferramentas da pré-história: cortar, pintar, tingir e riscar.
A "sala de tesouros", também mantida na penumbra, abriga a Vênus de Lespugue, uma estatueta de formas generosas, talhada em marfim de mamute há cerca de 23 mil anos.
Ou a pequena "Vênus impudica", com o sexo bem marcado pelo escultor.

O museu insiste na diversidade humana. No coração da galeria do Homem, uma estrutura de 11 metros de altura sobre 19 de largura apresenta uma coleção de 90 bustos em bronze e gesso realizados por cientistas do século XIX com base em moldes feitos em populações autóctones da América, África ou Ásia.
A riqueza das línguas (7 mil em todo o planeta) é apresentada de maneira lúdica: o visitante pode ouvir como cada uma soa.

'Voltar a ser modestos'

Ao longo do passeio, os cientistas do museu substituíram o homem em seu ambiente. "O homem começou a ter um impacto sobre o planeta a partir do Neolítico, quando começa a domesticar a natureza", explica Evelyne Heyer. "Há uma explosão demográfica e aparecem as doenças".
O passeio termina com uma pergunta sobre o destino do homem: a exploração dos recursos, a biodiversidade ameaçada, um "homem crescido" graças a tecnologias... Para onde vamos?

Segundo Bruno David, presidente do Museu Nacional de História Natural, a visita permite "compreender que somos tão somente uma espécie entre outras. Que somos o fruto de uma grande e complicada história. E que talvez estejamos arruinando o final desta história", agrega. "Temos que aprender a voltar a ser modestos. Nossa tecnologia não será suficiente para nos salvar".

Fonte: G1
Foto: Kovarik/AFP Photo
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