Ciência / Tecnologia: MK 2, a lua do coelho!

MK 2, a lua do coelho!



Nem bem terminaram as comemorações do 26º aniversário do telescópio espacial Hubble, vem dele mais uma descoberta importante. Nessa semana, a NASA anunciou que imagens obtidas do planeta anão Makemake em 2015 revelaram que ele possui uma pequena lua!

Só para recapitular, Makemake é um dos 5 planetas anões catalogados. Ele foi descoberto em 31 de março de 2005 por Mike Brown e seus colaboradores em sua incansável procura por um novo planeta no nosso Sistema Solar, para além dos limites de Plutão. Makemake tem por volta de 720 km de extensão e está a uma distância média do Sol de quase 7 bilhões de km. Seu nome vem de uma divindade do povo que habitou a Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico, e está ligada à fertilidade. Em nossa cultura tem como contrapartida o coelhinho da Páscoa.

Apesar do seu tamanho pequeno - ele tem 2/3 do tamanho de Plutão, ele é, provavelmente, o maior dos objetos do Cinturão de Kuyper, uma região mais externa do Sistema Solar que deve abrigar centenas de mundos gelados. De fato, dentre todos os planetas anões já descobertos, Makemake é o único que Clyde Tombaugh, o descobridor de Plutão poderia ter observado quando procurava pelo Planeta X em 1930, pois é o segundo mais brilhante. Essa classe de objetos é caracterizada pela enorme distância em que estão, e nunca chegam muito perto de Netuno. Por esse motivo não temos muitas informações sobre esse tipo de objeto. A ideia é que a essa distância enorme, eles devem estar cobertos por metano congelado, o que os fazem mais brilhantes que os objetos trans netunianos, por exemplo.

A descoberta de uma pequena lua ao redor de Makemake é importante por vários motivos, mesmo tendo ela pouco mais do que 150 km de extensão. É que não se sabe com precisão qual a massa de Makemake, tão pouco sua densidade. Com os valores de massa e tamanho, a densidade sai fácil. Com a densidade é possível ter uma ideia razoável sobre a constituição do objeto. Se a densidade for alta, muita rocha, se for muito baixa, muito gelo e a caracterização de objetos do Cinturão de Kuyper ajuda a entender os mecanismos de formação nas regiões mais externas do Sistema Solar. Como as evidências sugerem, Makemake deve ter uma superfície recoberta de gelo de metano. Essa era a ideia também a respeito de Plutão, que também é um membro do Cinturão de Kuyper, mas não preciso lembrar o quanto ela mudou depois que a sonda New Horizons passou por lá.

A presença de uma lua orbitando um outro corpo permite determinar, entre outras coisas, a massa dos dois objetos com muita precisão. E nisso Plutão é também um bom exemplo. Até a descoberta de Caronte, sua maior lua, em 1978, sua estimativa de massa variava desde algo como a massa de Mercúrio, a valores similares à massa da Lua. Com a descoberta de Caronte, verificou-se que na verdade, Plutão tem 17% da massa da Lua.

A pequena lua, que recebeu o apelido de MK 2, foi descoberta quando estava a uma distância de 20 mil km de Makemake, o que ajudou na sua identificação. O maior problema em sua descoberta nem é seu baixo brilho, decorrente do seu tamanho diminuto a uma distância gigantesca, mas sim o grande contraste de brilhos entre os dois objetos. Makemake é muito mais intenso do que MK 2 e quando os dois objetos ficam muito próximos, o planeta anão ofusca sua lua. Isso explica por que tentativas anteriores de buscas falharam. Além disso, as observações do grupo de Marc Buie, do Instituto de Pesquisas do Sudoeste, nos EUA, indicam que a órbita de MK 2 é vista quase de perfil, de modo que a projeção da visada de ambos faz com que eles pareçam próximos a maior parte do tempo. Esses mesmo dados sugerem que o período orbital de MK 2 é de mais ou menos 12 dias, mas ainda são necessárias mais observações para determinar se a órbita é elíptica ou circular.

O formato da órbita deve dar pistas da origem da pequena lua, se ela foi capturada ou se ela foi arrancada de Makemake através de uma colisão. Aliás, outro ponto importante nessa descoberta é o reforço na ideia que a maioria dos planetas anões, senão todos, possuem luas orbitando ao seu redor.

Mais uma descoberta importante do Hubble, para ajudar a entender esses objetos enigmáticos que são os objetos do Cinturão de Kuyper.

Fonte: G1
Foto: Divulgação NASA
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